Um biombo com rodas em vidro opaco isola a parte das refeições e a cozinha do amplo salão. Do lado da falésia, construiu-se um terraço de Verão virado a norte. As superfícies envidraçadas deslizam e oferecem uma sala de jantar ar ar livre. Sem cortinados, salvo nos quartos, vive-se neste rochedo ao ritmo da luz e do barulho das ondas. O andar superior é limitado a um só quarto. Reservado ao bem-estar dos proprietários, este espaço é como uma ilha independente com o seu quarto monacal, resplandecente de brancura e cujo maior luxo consiste numa casa de banho panorâmica… e sem obstáculos.
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No andar superior, quanta luz ganha através desta abertura feita na empena sul, sem prejuízo do gênio arquitectural da casa. Os móveis adquiridos num antiquado e a cama baixa fazem deste aposento um lugar agradável para trabalhar ou repousar.
A abertura ganha na inclinação do telhado dá a impressão de deixar entrar a natureza para o interior da casa. Por forma a não quebrar este charme através de um madeiramento incômodo, os vidros foram colados entre si com silicone (impermeabilidade provada) e as vigas e os barrotes das vigas, para além da sua função mecânica, constituem verdadeiras esculturas. O barco é um brinquedo das Ilhas do Pacífico. À direita, cadeira indiana.
De acesso ao andar superior, a galeria serve também de recanto para leitura, onde convivem em harmonia uma bibiioteca de Starck e um armário antigo. Ferragens dos anos 20 servem de gradeamento de protecção às duas pequenas janelas sobrepostas. Por cima da consola em metal de Jean-Claude Mattei, três quadros de Alain Campos. Na parede, escultura em madeira de Woftu. Cadeiróes dos anos 30. A parede acolhe belos quadros. Um irradiador Acova serve igualmente de balaustrada.
A marca portuguesa Sátira Minimalanimal, cujas criações são frutos de um projeto único, resultado de um workshop na Internet, aderiu pela primeira vez ao salão e mostrou peças de arfs dc la table, todas de cerâmica, assinadas por um time de peso, como Álvaro Siza, Lissoni Associati e Ross Lovegrove. Outra presença marcante que confirma as tendências as mais atuais foi o editor Driade. Através da coleção Atlântida, Driadesign traduz o universo doméstico como o “paraíso reencontrado”, um planeta que se transforma em casa, numa casa “nômade, sem ser provisória, colorida, sem ser desordenada, flexível, leve, jovem”. Como ilustração do conceito, as easy pieces de Christian Ghion, um conjunto de pequenas mesas que se transformam em bancos, que quando empilhados criam totens, deixando o espaço livre para se viver.
O tapete de fio grosso deu um toque rústico e mais despojado para o living, ficando também muito confortável.
NO HALL, CÔMODA ITALIANA DE NOGUEIRA MARCHETADA E FILETADA, DA ENTREPOSTO. E ÓLEO SOBRE TELA, DE SÉRGIO SISTER, DA GALERIA DE ARTE ROSA BARBOSA.

Decoração de interiores apartamentos.
Como a prioridade era atender ao perfil do morador, o primeiro passo foi trazer abaixo algumas paredes que dividiam a residência em quatro quartos. Dois dormitórios foram eliminados para garantir mais espaço à área social e à suíte principal. Sem divisões, o living integrou-se ao home teather e à sala de jantar. De onde se olha, tudo se vê. A definição dos ambientes fica por conta da disposição dos móveis que, estrategicamente, não se repetem. Nada é simétrico. Tudo é harmônico. Assim, uma lounge chair Charles Eames contracena com uma cadeira de ferro retorcido, com um banco ebanizado, com um sofá de linhas retas e com uma mesa de aço e vidro revestida com palha preta. Hits contemporâneos, as peças compensam a ausência de móveis em duplicidade. Esculturas antigas e uma tela de Baravelli imprimem o toque de arte que Minelli considera indispensável.
Elegância à prova de fogo: a lareira loi revestida com madeira Larice branca, com moldura de aço escovado. Destaque oara o piso de madeira marfim.
Na sala de jantar, fartura no cardápio contemporâneo: aparador de madeira Larice ebanizada, mesa Saarinen, luminária, La Lampe e arranjo floral de Toioco Kamagawa 0 espelho aumenta as dimensões do ambiente.
Oulro ângulo do living, com destaque para o home teather integrado. A estante, de madeira branca e fundo de madeira sucupira ebanizada, foi desenhada por Ricardo Mlnelli. Toque de arte: da Galeria Nara Roesler. uma tela de Baravelli rouba a cena. sem ofuscar o brilho da cadeira de ferro retorcido. Cecotti.










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