O rebordo do telhado parcialmente coberto de telhas permite â casa aproveitar o sol ainda que preservando as zonas de sombra.
O percurso iniciático começa desde a entrada: um caminho curvo de pedras geométricas e cuidadosamente talhadas. Um biombo redondo como um escudo guarda o mistério da habitação.
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Cercado por jardins, lagos e esculturas de bronze art noveau, atualmente o palácio é usado para ocasiões distintas, já que o governador Sérgio Cabral e sua esposa preferiram continuar no endereço da família. “Entendemos que o palácio é um retrato de época que figura com todos os elementos de sofisticação vistos em castelos da Europa. Então, resolvemos que o melhor seria destiná-lo às solenidades e aos grandes eventos, enquanto o nosso lar se manteria inalterado, afinal, o cargo é transitório”, completa a primeira dama.
E foi exatamente a familiaridade com os traços modernistas que permitiu ao lugar reabrir as portas para os poderosos da República. Não demorou até os novos hóspedes se acostumarem com o conforto e as delicadezas do Palácio. Por seus cômodos glamorosamente decorados, as lembranças listam passagens do presidente francês Charles de Gaulle, do norte-americano Hany Truman, e do último representante civil até o restabelecimento da democracia, em 1985, João Goulart.
Tanto encanto pode ser descrito através do projeto luxuoso, que mesmo quase centenário, se mantém intacto. Na entrada principal, o vestí-bulo tem piso de mosaicos, paredes revestidas de mármore rosa português, vitral de Champigneulle e painéis pintados por A.P. Nardac retratando os morros do Corcovado e Dona Marta, composição perfeita para contemplar a paixão carioca da atual primeira-dama do Rio, Adriana Anselmo Cabral. “Considero esse cantinho o meu preferido”, diz.
Mais adiante, os olhares recaem sobre os meda-lheiros boulle, réplicas dos encontrados em Versalhes. No contexto abrasileirado, nem mesmo o décor francês, com seus estilos Luís XV e Luís XVI, deixou de receber iluminação natural especialmente planejada. Na parte central da casa, os lambris de carvalho e as pinturas de G. Picard conferem à saleta de música uma atmosfera única, sob medida para dedilhar o piano de cauda Steinway, igualzinho ao que embalava os saraus da rainha franco-austriaca, Maria Antonieta.
Os Tons de verde do.fumoir revelam detalhes do piso de parquete belga, que se estende até a sala de jantar, onde os entalhes de nogueira escura sobressaem-se às curvas e contracurvas abertas no teto. Emoldurada por enormes janelas, a galeria Regência se debruça sobre iis comensais, sendo dividida por duas alas interligadas pelo gabinete de trabalho. Criada para ser um dos espaços mais acolhedores da edificação, com seu alto pé-direito e teto arqueado, a biblioteca perdeu a vista panorâmica sobre a Baía da Guanabara, hoje encoberta pelos prédios, porém, resguardou o ar nostálgico. Em meio às obras raras, a peça mais cobiçada do acervo das Laranjeiras é o Bureau du Roi, cópia do exemplar que pertenceu ao rei Luís XV, que foi, também, palco de um dos momentos mais tristes da política brasileira, a assinatura do AI-5, em tempos penosos de ditadura.
Organizado internamente em três diferentes pavimentos, cada qual com uma função bem alinhavada, o Palácio das Laranjeiras faz jus à vizinhança de prédios assinados por Lúcio Costa. “Ainda renho recordações do período em que o Palácio era simplesmente a casa do meu avô. Era um lugar lindíssimo e me parecia gigantesco – pelo menos era essa a impressão quando ficávamos cu e a minha avó Branca (Ribeiro Guinle), que fazia muita questão da privacidade. As exceções aconteciam por imposição da minha mãe, que sempre gostou de receber os amigos, como a concertista Madalena Tagliaferro, que aproveitava para nos presentear com ótimos recitais”, diz a embaixatriz Teresa Castello Branco, que passou a infância no Palácio. Comprado pelo governo federal em 1947 para abrigar visitantes ilustres, foi devido ao suicídio de Getúlio Vargas, no Catete, que seu sucessor, Juscelino Kubilschek, transferiu a residência oficial para lá – pelo menos até a inauguração de Brasília, em 1960.
NO ALTO DA COLINA, A IMPONÊNCIA DO CASAKÃO arquitetado por armando Carlos da Silva Telles para o então proprietário Eduardo Guinle, parece ter parado no tempo. É ali, recortando a paisagem fluminense, cravado no meio das Laranjeiras, entre o Catete e a Glória, bem perto do Cosme Velho e do Flamengo, que a antiga chácara desponta com os esboços clássicos inspirados no Cassino de Monte Cario.
Cortina do passado. A esquerda, a varanda se coloca como extensão do hall. Abaixo, bustos de mármore circundam toda a extensão da construção.









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