sábado, julho 24th, 2010 | Author:

decoração Palácio das Laranjeiras

E foi exatamente a familiaridade com os traços modernistas que permitiu ao lugar reabrir as portas para os poderosos da República. Não demorou até os novos hóspedes se acostumarem com o conforto e as delicadezas do Palácio. Por seus cômodos glamorosamente decorados, as lembranças listam passagens do presidente francês Charles de Gaulle, do norte-americano Hany Truman, e do último representante civil até o restabelecimento da democracia, em 1985, João Goulart.
Tanto encanto pode ser descrito através do projeto luxuoso, que mesmo quase centenário, se mantém intacto. Na entrada principal, o vestí-bulo tem piso de mosaicos, paredes revestidas de mármore rosa português, vitral de Champigneulle e painéis pintados por A.P. Nardac retratando os morros do Corcovado e Dona Marta, composição perfeita para contemplar a paixão carioca da atual primeira-dama do Rio, Adriana Anselmo Cabral. “Considero esse cantinho o meu preferido”, diz.
Mais adiante, os olhares recaem sobre os meda-lheiros boulle, réplicas dos encontrados em Versalhes. No contexto abrasileirado, nem mesmo o décor francês, com seus estilos Luís XV e Luís XVI, deixou de receber iluminação natural especialmente planejada. Na parte central da casa, os lambris de carvalho e as pinturas de G. Picard conferem à saleta de música uma atmosfera única, sob medida para dedilhar o piano de cauda Steinway, igualzinho ao que embalava os saraus da rainha franco-austriaca, Maria Antonieta.
Os Tons de verde do.fumoir revelam detalhes do piso de parquete belga, que se estende até a sala de jantar, onde os entalhes de nogueira escura sobressaem-se às curvas e contracurvas abertas no teto. Emoldurada por enormes janelas, a galeria Regência se debruça sobre iis comensais, sendo dividida por duas alas interligadas pelo gabinete de trabalho. Criada para ser um dos espaços mais acolhedores da edificação, com seu alto pé-direito e teto arqueado, a biblioteca perdeu a vista panorâmica sobre a Baía da Guanabara, hoje encoberta pelos prédios, porém, resguardou o ar nostálgico. Em meio às obras raras, a peça mais cobiçada do acervo das Laranjeiras é o Bureau du Roi, cópia do exemplar que pertenceu ao rei Luís XV, que foi, também, palco de um dos momentos mais tristes da política brasileira, a assinatura do AI-5, em tempos penosos de ditadura.

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